A quest pela picareta da dignidade

Numa terra distante existia uma herói. Um herói no início de sua longa jornada, a qual tinha como objetivo salvar o mundo da névoa sem cor enquanto ele saboreia uma vastidão de almas recém colhidas.

Porém este herói ainda estava longe de se tornar o campeão que o mundo precisava. Ele ainda se embrenhava pelas escuras e quentes minas há muito governadas por criaturas corrompidas por demônios ancestrais cobertos por uma grossa camada de fuligem.

Foi então que o mundo desse herói foi invadido. As portas de sua dimensão se contorceram e ele soube que não estava mais sozinho naquela torre escura. Nosso herói foi então tomado pela apreensão desse novo desafio. E intruso estava claramente buscando um desafiante. Alguém que pudesse lhe causar a emoção e a adrenalina que os inúmeros demônios e criaturas corrompidas não causavam. Ou talvez ele fosse apenas um enorme babaca.

Foi nas portas de uma enorme fornalha que eles se encontraram. O jovem herói olhou e pode observar a sua frente uma criatura feita da mais pura maldade. O combatente se assemelhava aos mais medonhos pesadelos. Uma alma moldada pela escuridão e a mesma fome por almas.

O confronto durou algo que pareceu uma eternidade. A inexperiência da espada heroica se encontrou com a habilidade da lança invasora. O cansaço de ambos parecia não lhes afetar e os golpes continuaram a se encontrar com o escudo rival e por alguns minutos martelos e bigornas não eram os únicos instrumentos que se chocavam naquele lugar.

A luta parecia que se estenderia por toda a eternidade, tal qual Apophis e Bastet. Porém algo surpreendeu o herói. O desafiante o encarou e jogou aos seus pés uma nova arma. Uma arma desconhecida até então. Uma arma que parecia tão cotidiana, mas que algo a fazia diferente de tantas outras.

A picareta agora estava nas mãos de nosso combatente.

A arma possuía um poder nunca antes visto. Não foi preciso muito tempo até que a arma fosse corretamente manuseada e o desafiante derrotado e com sua alma banida de volta ao seu lugar em outro momento no espaço.

Agora o herói possuía um novo companheiro. Um companheiro que lhe dava poder de destruir até o mais poderoso dos demônios. Porém ele não se sentia digno de seu novo aliado.

“Serei mesmo digno de portar tal arma num lugar e momento como esse?” ele se perguntava. Dúvidas rondavam sua mente, porém seu braço continuava a deferir os golpes que derrubavam incontáveis inimigos.

O ágil demônio de fogo. O gigante dragão, senhor de todos os dragões. O falso profeta. Os irmãos alados. O invasor mascarado. O glutão aprisionado. Todos caíram sob os golpes pesados da arma e mais inimigos cairiam. Ele sabia disso.

O poder de tal arma alimentava sua vontade de seguir sua jornada em busca da paz para seu reino, mas sua mente o dizia indigno desse poder. Esse conflito interno consumia sua alma e talvez até sua sanidade. Talvez agora sua missão seja quebrar as divisas de seu mundo e passar esse artefato para um desafiante merecedor como ele talvez tenha sido um dia.

Mas como se livrar de tal poder quando o mais antigo dos mals ainda vivia livre nas terras sob seu domínio?

Afinal, não é sempre que lhe é dado uma Moon Pickaxe +5