#0 – Prólogo [incompleto]

Eu fui o primeiro a ouvir o rugido. A princípio eu pensei que fosse minha imaginação, afinal, haviam décadas que nenhuma criatura invadia essa região, mas dessa vez foi diferente.

Era um fim de tarde agradável. O sol havia começado a descer para trás das montanhas, mas ainda teríamos umas duas horas de luz antes de serem acesos os lampiões e tochas pelas ruas. O urro veio do norte ecoando por entre vales e desfiladeiros, sacudindo florestas e fazendo pássaros voarem de seus galhos para o ar.

E soei o alarme.

Antes que pudesse ver os homens se aproximarem, eu o vi. A criatura vinha batendo as asas colossais em nossa direção. Eu nunca havia visto nada tão grande em toda a minha vida. Sua passagem por cima de nossas cabeças causou uma enorme onda de vento que quase me arremessou de cima da murada e ele seguiu ao sul. Quando eu revejo essa cena nos meus sonhos, eu tenho a impressão de que vi flechas voando contra a besta, e talvez tenha sido isso o que a irritou. O dragão não parecia muito interessado nas pessoas que passeavam sob seus pés.

Porém, algo é certo, algo o irritou. E ele voltou do sul com suas patas pousando em pessoas, barracas e carroças.

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A quest pela picareta da dignidade

Numa terra distante existia uma herói. Um herói no início de sua longa jornada, a qual tinha como objetivo salvar o mundo da névoa sem cor enquanto ele saboreia uma vastidão de almas recém colhidas.

Porém este herói ainda estava longe de se tornar o campeão que o mundo precisava. Ele ainda se embrenhava pelas escuras e quentes minas há muito governadas por criaturas corrompidas por demônios ancestrais cobertos por uma grossa camada de fuligem.

Foi então que o mundo desse herói foi invadido. As portas de sua dimensão se contorceram e ele soube que não estava mais sozinho naquela torre escura. Nosso herói foi então tomado pela apreensão desse novo desafio. E intruso estava claramente buscando um desafiante. Alguém que pudesse lhe causar a emoção e a adrenalina que os inúmeros demônios e criaturas corrompidas não causavam. Ou talvez ele fosse apenas um enorme babaca.

Foi nas portas de uma enorme fornalha que eles se encontraram. O jovem herói olhou e pode observar a sua frente uma criatura feita da mais pura maldade. O combatente se assemelhava aos mais medonhos pesadelos. Uma alma moldada pela escuridão e a mesma fome por almas.

O confronto durou algo que pareceu uma eternidade. A inexperiência da espada heroica se encontrou com a habilidade da lança invasora. O cansaço de ambos parecia não lhes afetar e os golpes continuaram a se encontrar com o escudo rival e por alguns minutos martelos e bigornas não eram os únicos instrumentos que se chocavam naquele lugar.

A luta parecia que se estenderia por toda a eternidade, tal qual Apophis e Bastet. Porém algo surpreendeu o herói. O desafiante o encarou e jogou aos seus pés uma nova arma. Uma arma desconhecida até então. Uma arma que parecia tão cotidiana, mas que algo a fazia diferente de tantas outras.

A picareta agora estava nas mãos de nosso combatente.

A arma possuía um poder nunca antes visto. Não foi preciso muito tempo até que a arma fosse corretamente manuseada e o desafiante derrotado e com sua alma banida de volta ao seu lugar em outro momento no espaço.

Agora o herói possuía um novo companheiro. Um companheiro que lhe dava poder de destruir até o mais poderoso dos demônios. Porém ele não se sentia digno de seu novo aliado.

“Serei mesmo digno de portar tal arma num lugar e momento como esse?” ele se perguntava. Dúvidas rondavam sua mente, porém seu braço continuava a deferir os golpes que derrubavam incontáveis inimigos.

O ágil demônio de fogo. O gigante dragão, senhor de todos os dragões. O falso profeta. Os irmãos alados. O invasor mascarado. O glutão aprisionado. Todos caíram sob os golpes pesados da arma e mais inimigos cairiam. Ele sabia disso.

O poder de tal arma alimentava sua vontade de seguir sua jornada em busca da paz para seu reino, mas sua mente o dizia indigno desse poder. Esse conflito interno consumia sua alma e talvez até sua sanidade. Talvez agora sua missão seja quebrar as divisas de seu mundo e passar esse artefato para um desafiante merecedor como ele talvez tenha sido um dia.

Mas como se livrar de tal poder quando o mais antigo dos mals ainda vivia livre nas terras sob seu domínio?

Afinal, não é sempre que lhe é dado uma Moon Pickaxe +5

Conto #6: Dreams

Caminhávamos pelo beco escuro e úmido. Já havia passado da meia noite, mas eu não podia dizer que horas eram. A luz cheia ainda iluminava a noite, porém os altos prédios que nos cercavam escondiam sua luz, e tudo, além de pequenos reflexos em janelas e poças d’água, era preto e cinza.

Estava acompanhado por uma garota. Naquela escuridão, a única coisa que podia distinguir nela, era o rabo de cavalo comprido balançando e a touca da blusa abaixada sobre os ombros. E também podia ver que ela estava séria. Determinada.

Ela havia me contatado há algumas horas pedindo ajuda. Não sei porque ela achava que poderia confiar em alguém que ela nunca havia visto antes. Mas eu também havia concordado em entrar em um beco escuro com uma garota que acabara de conhecer. Estávamos juntos no mesmo barco aparentemente. Eu gosto de pensar que o meu tamanho poderia deixa-la mais segura, mas nos tempos que se seguem, isso pode não bastar.

Caminhávamos lado a lado. Ela era pouco mais de uma cabeça menor do que eu, talvez 1,60m ou algo próximo a isso. Eu não sabia onde estávamos indo. Ela seguia me guiando, confiante do caminho que devíamos seguir naquele beco escuro.

Quase no fim do caminho, ela virou à esquerda e seguiu para uma escada de metal que seguia verticalmente para uma plataforma no segundo andar e eu a segui pela escada. A escada rangia conforme subíamos e eu podia sentir a ferrugem áspera conforme me segurava nas barras de ferro.

No segundo andar da construção, o suporte de metal parecia ainda mais enferrujado que a escada e rangia muito mais, mas ela continuava determinada e o barulho da estrutura parecia não a amedrontar. Segui seu exemplo e continuei o percurso. Na plataforma, indo para cima, existia uma escada de grades que ligava nossa plataforma com a superior, esse padrão se seguia até onde os olhos conseguiam ver.

Continuamos nossa subida andar por andar entre grades faltando em degraus, barras soltas e pedaços da estrutura tão enferrujados que eu temia que tudo poderia desabar à qualquer momento. Porém continuávamos a subir.

Eu não contei quantos andares havíamos subido, mas agora eu acredito que subimos algo entre 15 e 20 andares. Minhas pernas já estavam cansadas com a subida, mas eu não ousaria tira-la da minha visão. Algo nela me chamava a atenção e já havia me envolvido demais nessa situação para virar as costas agora. Precisava ir até o fim. Agora que estávamos mais alto, a luz da lua iluminava nosso andar e só agora que reparei que usávamos roupas semelhantes. Ambos usávamos jaquetas de couro preto, o que era comum nessas noites frias e chuvosas dos últimos tempos. Estávamos também com calças jeans escuras, uma camiseta preta simples por baixo da jaqueta e botas escuras, que também se tornaram comuns nesse clima. Embora as roupas fossem parecidas, ela usava um conjunto feminino que combinava com se corpo pequeno.

Em cada uma das plataformas havia uma janela com pelo menos um metro de altura, porém todas elas estavam fechadas. Algumas lacradas com tabuas, algumas com cortinas e muitas apenas exibiam salas vazias, vidros quebrados espalhados no chão próximo as janelas e quantidades de poeira que matariam qualquer alérgico. Todas as janelas intercalavam com esse visual macabro. Todas com exceção de uma. E foi nessa janela aberta, intacta e perfeitamente limpa na qual ela entrou. Eu me agachei atrás dela e passei pela abertura para dentro do apartamento. A sala tinha chão de madeira e com exceção de uma mesinha de centro e uma cadeira, não havia nenhuma mobília. Em cima da mesinha queimava uma vela já pela metade e sentado na cadeira, havia uma mulher. A mulher era pequena envolta em panos e peles escuras, das quais você vê madames ricas usando em eventos, mas as que essa senhora possui faltaram há algumas lavagens e estavam todas gastas. Ela tinha o cabelo escuro comprido levemente ondulado que descia quase até a cintura. A semelhança entre a mulher das peles e minha acompanhante era visível. O formato do rosto, o mesmo formato dos olhos e os mesmos lábios rosados, porém a mulher deveria ser uns 10 anos mais velha do que ela.

Ficamos na sala em silencio nos olhando por mais tempo que poderia contar. O único som que se ouvia era de nossas respirações. Finalmente a mulher sorriu e eu pude ver nitidamente que seus dentes eram muito brancos e pontiagudos.

_ Você demorou criança – disse a mulher quebrando o silencio. Ninguém respondeu. Ela levantou a manga da sua blusa de peles e mostrou no antebraço esquerdo uma marca de um roxo claro. Quando ela se aproximou da vela para mostrar a marca, eu pude perceber que ela tinha a pela perturbadoramente cinza – você sabe o que é isso, não sabe?

A pergunta foi feita para a garota de rabo de cavalo que somente acenou a cabeça afirmativamente.

_ Então você sabe o que você é, não sabe? – a garota afirmou novamente – e então, porque você veio?

Silencio.

Eu aguardei enquanto elas somente se encaravam. Então veio a resposta.

_ Eu quero saber sobre tudo – sua voz estava embargada por lagrimas, embora eu não visse lagrimas no seu rosto, eu poderia jurar que ela estava chorando – o que isso significa e o que vai significar. Eu tenho alguma escolha?

Eu estava perdido. Que escolha? Ela era o que? Não estava me sentindo muito bem naquela situação, mas eu ainda não a queria deixar ali sozinha.

_ Você sabe que eu não posso discutir na frente dele – disse a mulher se levantando – livre-se dele e poderemos conversar mais a vontade.

A garota afirmou com a cabeça e se virou pra mim. Quando a olhei, vi os olhos marejados pelas lagrimas que se recusavam a descer.

_ Obrigada – disse ela e me abraçou. Como ela era pequena, ela cruzou os braços às minhas costas e apoiou o rosto no meu peito e eu retribuí o abraço. Quando ela se soltou de mim, ela apoiou uma não na minha nuca e disse – sinto muito – e foi quando eu senti a lamina gelada entrando na minha barriga.

Random place

Não se sabe ao certo como tudo teve início, alguns contam sobre um jovem ambicioso que conquistou glórias no campo de batalha, outros acreditam que Heinrich era um rei rico e poderoso. Independente do início, todas as história levam ao mesmo fim.
Heinrich governou seu castelo durante muitas decadas. Seu castelo e as montanhas que os cercavam ao norte ganharam o seu nome, talvez por honraria, talvez por soberania. Independente de como aconteceu, o castelo Heinrich era supremo e belíssimo.

O castelo era inteiro moldado em rochas brancas e sintilava com a luz do sol. Ao seu redor corria o rio Garloon, que alimentava Garloan, o Divisor, o maior rio que cortava de norte a sul grande parte do continente. A nascente do rio passava por entre inumeras fendas nas rochas das montanhas Heinrich e formavam um fosso fundo de água corrente. Ao sul se estendia uma longa planicie gramada da qual era possivel ter uma visao longa das torres do castelo. A unica ligação entre a planicie e a contrução era uma enorme ponte de aço que quando erguida, era inexpugnavel por qualquer numero de balistas fossem arremessadas contra ela.

Porém o castelo Heinrich não era apenas beleza. Ele era famoso por seu interminável subterrâneo repleto de tuneis de mineiração de pedras preciosas. Algumas pessoas acreditam que foram essas mineirações as culpadas pela decadência do castelo, porque um dia o rio parou de correr. O fosso se tornou apenas um buraco fundo emlameado que logo se secou.

A distância dos rios mais próximos influenciou a migração dos moradores do castelo para regiões mais afastadas, onde Kero fundou a cidade de Drunian no auge da segunda era. Mesmo com seus moradores fugindo da cidade, Heinrich se recusava a deixar seu castelo e sua familia, presa pela vontade de seu patriarca, viu as montanhas ao norte explodirem em pedaços de rocha flamejante e choveu fogo na cidade. Inumeras casas e torres foram destruidas e incendiadas. Um dos primeiros blocos expelidos pelo recem nascido vulcão, destruiu a entrada do forte, condenando a todos que lá estavam a morte. Alguns pelo fogo que consumiu grande parte da cidade, outros pelo ar tóxico que tomou conta de suas ruas e outros mais tentaram fugir pelo fosso seco e viram o caminho que um dia seus pais já nadaram se tornar um mar de rocha viva consumindo todos os corpos, culminando com o inicio da segunda era.

Durante decadas o forte ficou inabitado. O vulcão, que foi nomeado Rich’s End, nunca parou de cuspir sua fumaça negra para os céus, e assim toda a luz foi roubada da região. Os muros brancos escureceram devido às cinzas e as ruas da cidade se tornaram tumulos.

Porém, algum tempo depois, um grupo com cinco idividuos resolveram explorar as ruinas agora já escurecidas. Não se sabe o que levou essas pessoas a tal local, mas até o castelo eles foram e lé eles moraram. Suas montarias pereceram muito antes dos portões, mas eles continuaram. O grupo encapuzado, portados de habilidades nunca antes vista, levantavam escombros gigantescos acima de suas cabeças e os arremessavam para longe das ruas. Algumas torres e casas foram reconstruidas, mas o ar continuava envenenado e nenhum ser vivo podia se aproximar.

Durante a estadia dos encapuzados no castelo, uma cupula brilhante começou a ser vista acima dos muros e quatro membros dos encapuzados partiram para nunca mais serem vistos. O quinto capuz foi removido e lá estava Ayeria, a Imortal. Ela era uma elfa que mantinha seus traços e feiçoes jovens à incontaveis seculos. E ela se tornou a regente daquele lugar abandonado.

Nos meses que se seguiram, a nevoa escura e mortal se dissipou nas regiões mais proximas a terra morta e caravanas de soldados de todas as raças conhecidas começaram a chegar a construção. Essas caravanas traziam jaulas com homens e mulheres acorrentados no seu interior e esse foi o inicio da Prisão da Imortal. As primeiras caravanas nunca disseram o que os fizeram ir até aquele lugar e nem mesmo como sabiam da existencia dA Imortal naquele lugar, mas essa se tornou a prisão mais segura da história do continente. Por enquanto.

New World: Parte 1

 

A ampla planície se estendia desolada e morta por quilômetros em todas as direções. No ponto mais fundo do vale, se encontrava um pequeno templo a muito abandonado. Alguns diziam que uma maldição antiga havia afastado os monges que um dia viveram lá. Outros diziam que todo o mal do mundo surgiu em uma noite sem lua e destruiu os corpos de todos os que lá habitavam. Bom, isso não era totalmente errado.
Há aproximadamente 3 quilômetros planície acima, a paisagem mudava bruscamente para uma floresta densa e na orla dessa floresta Mikki via seu objetivo a frente. Do seu lado seguia Arleena. Entre as duas mulheres e seu objetivo, se encontrava uma horda interminável de criaturas estranhas que se arrastavam e que agora caminhavam em direção as duas. Eram milhões de esqueletos de antigos guerreiros que andavam e brandiam espadas enferrujadas e com armaduras que estavam se desfazendo e caiam podres aos seus pés de ossos e couro velho. Toda a vegetação na região havia mudado sua cor de verde, para um cinza pálido e em vários pontos, existia somente a rocha nua que ecoava alto com inúmeros ossos raspando nela.
A visão atormentou Mikki, que sentiu seu coração disparar ao ver essa quantidade enorme de demônios. Mikki era uma clériga devota a proteger o mundo de forças malignas e a própria visão a enojava. Ela usava o seu costumeiro vestido branco reforçado para as longas viagens que ela enfrentava com Arleena. Arleena era o seu motivo de estar na estrada a tanto tempo. Há alguns anos durante seus anos de vassalagem no mosteiro de Asmoddan, Arleena surgiu de uma viagem. Ela estava machucada e ensanguentada, suas roupas maltrapilhas e mal remendadas caindo aos pedaços. O clérigo Aidam, o líder de sua ordem, encontrou a jovem morrendo de seus machucados e sem comida ou água. Quando ela foi levada ao mosteiro para ser tratada, foi amor a primeira vista. Porém o amor entre mulheres era proibido por Aidam, e antes que elas fossem descobertas, Mikki fugiu com Arleena.
Agora, Mikki olhava enquanto sua amada, agachada em frente sua mochila, preparava sua perneira com uma fileira de poções. Arleena era uma feiticeira, capaz de conjurar esferas flamejantes com as próprias mãos e até mesmo congelar o ar ao seu redor. Ela usava botas de viagem de cano alto, calças marrom simples e um colete de couro preto combinando com as botas. No alto de sua coxa esquerda ela estava prendendo uma bolsa de couro com uma aba. Abaixando a aba da bolsa, podia-se ver duas fileiras de frascos de vidro com um liquido azul cintilante dentro. Ela usava vários anéis nos dedos, alguns com pedras preciosas de cores diversas e um único anel grande pesado de ouro maciço no anelar esquerdo, que fazia par com o que Mikki usava no mesmo dedo.
Mikki já não tinha o costume de se guardar sua bolsa de poções, que carregava da mesma maneira que Arleena e era acessível por uma venda no vestido que subia até próximo a cintura.
Se sentindo pronta, a feiticeira voltou até onde sua companheira estava e a beijou nos lábios.
_ Eu começo – Arleena disse virando de costas com um sorriso no rosto e alongando os músculos de seus braços enquanto seguia em direção a horda de inimigos. Mikki sempre amou a forma do rosto afinado e os longos cabelos escuros e ondulados da feiticeira, mas dessa vez ela teve um mal pressentimento quanto a suas mechas.
_ Tem certeza que não quer prender o cabelo? Eu estou sentindo algo estranho hoje. – Arleena voltou seus olhos escuros para trás e disse:
_ Você sabe que não tem com o que se preocupar – Arleena voltou para onde Mikki estava e segurou suas mãos e a olhou fundo nos olhos. A clériga era loira e tinha olhos de um azul muito claro emoldurado por um rosto redondo com a pele muito branca. O olhar intenso de sua amada a deixou vermelho e ambas riram – se você vier comigo eu não tenho com o que me preocupar, não é?
Mikki sorriu de volta e beijou os nós dos dedos de Arleena e disse:
_ Só promete que você vai tomar cuidado.
_ Sempre – Arleena sorriu e se virou para os monstros a sua frente. Arleena era cheia de energia, espontânea e estava sempre sorrindo, mesmo nos momentos mais difíceis. Mikki admirava essa força de vontade e a garra da companheira. Mas hoje, isso a preocupava.
A feiticeira andou cerca de 100 metros a frente e parou a aproximadamente 20 metros de distancia dos oponentes. Ela fechou o punho e do nó de seus dedos, pequenas chamas vermelhas surgiram. Em seguida ela deu um soco no ar, como se tentasse nocautear uma oponente invisível que estaria tentando agarra-la. De sua mão uma enorme esfera flamejante saiu voando e atingiu a linha de frente da massa de ossos que andava em sua direção. Com o impacto, a esfera explodiu em uma grande chuva de fogo, a explosão arremessou aos ares varias partes dos combatentes para todas as direções e talvez 10 esqueletos haviam parado de se mexer, mas a massa continuava vindo.
Mikki pode ver a decepção de Arleena com o resultado de seu golpe e correu a frente para ajudar. Mikki cerrou os punhos da mesma maneira que Arleena e se concentrou em uma reza baixa. Ela sentiu como se ela ficasse cada vez maior em comparação ao mundo. Ela podia sentir cada grão de areia e cada centímetro da rocha a sua frente que era pisado pelos pés esqueléticos. Ela apontou a palma de sua mão para frente e de entre seus dedos, saiu um raio de luz branca que acertou em cheio os esqueletos. Instantaneamente, eles param de se mexer e caíram inanimados em uma pilha de ossos.
E a horda continuava a vir.
Arleena continuava desferindo seus socos flamejantes contra os inimigos, e o suor já escorria de sua testa e o cansaço já cortava seu rosto. Eventualmente sua mão esquerda descia até sua perna mais frasco do liquido azul era engolido e seu recipiente vazio era devolvido para seu lugar na bolsa e Mikki seguia os mesmos passos enquanto mais raios derrubavam os oponentes e mais frascos eram esvaziados.
Algum tempo depois, ambas já estavam exaustas, existiam pilhas em mais pilhas de ossos caídos no caminho e inúmeras marcas de queimado no chão, e em um ponto ou outro havia parte da vegetação seca pegando fogo, mas que logo era apagada pelo onda de pés que pisoteava as chamas até sua extinção.
Mikki ouviu o som de vidro se quebrando viu Arleena tremula, ajoelhada e com o resto do liquido azul escorrendo pelo seu queixo e um frasco vazio caído do lado de sua mão. Ela ajoelhou junto da companheira e a puxou pela mão para mais longe do exercito interminável que vinha em sua direção.
_ Eu não acho que a gente vai conseguir passar por eles. – Disse Mikki limpando o resto de poção que manchava o rosto da amiga. Arleena estava ofegante e olhava para o vazio a sua frente sem realemnte prestar a tenção ao que a lhe era dito. Mikki sentiu um aperto forte no coração quando reparou o quanto a outra tremia. Ela sabia que ela estava entrando em overdose pela quantidade enorme de poções que ela havia tomado. Mikki checou a bolsa de Arleena e encontrou 17 frascos vazios pendurados em seus espaços acompanhados por mais dois cheios e um espaço que deveria pertencer ao vidro quebrado. – 18? Você é maluca? Você sabe o que isso pode fazer com você? – brigou Mikki. Ela rapidamente abriu uma outra bolsa que carregava do lado direito do seu cinto e de lá tirou uma pequena esfera púrpura um pouco maior do que uma ervilha e colocou na boca da amiga – aqui, mastiga isso.
Já com a primeira mordida a respiração de feiticeira começou a se estabilizar e seu olhar perdido voltou a se focar no rosto preocupado de Mikki. Arleena agora sentada no chão de pedra, apoiada em uma pedra que escondia suas mochilas. O passo das criaturas era lento, mas elas se aproximavam cada vez mais. Arleena se virou para sua mochila sem falar nada e de lá tirou um pergaminho enrolado com um selo em cera preta.
_ Nem pense nisso. – disse Mikki segurando o braço da outra – você sabe o quanto isso é perigoso. Não posso deixar você fazer isso. – Arleena olhou seria para sua amante, o sorriso tão costumeiro no seu rosto havia desaparecido e sua expressão estava seria.
_ Você sabe que eu preciso de você pra fazer isso, não me abandona agora – Mikki, com os olhos marejados, a abraçou forte e deu um beijo apaixonado na sua companheira.
_ Eu vou me arrepender disso – respondeu a clériga apoiando novamente a cabeça no ombro da companheira. Agora com as duas próximas, era possível perceber a diferença na estrutura das duas. Arleena era maior que Mikki por aproximadamente 10 centímetros, ela tinha o corpo mais magro, com o quadril largo e músculos mais trabalhados. Já Mikki tinha uma aparência mais sensível, ela tinha seios maiores do que os da amiga que acompanhava alguns quilos a mais e o temperamento mais amável.
_ Não, não vai – Arleena se soltou do abraço da companheira, deu um ultimo beijo nela e seguiu de encontro aos oponentes. Mikki viu a feiticeira quebrar o lacre do pergaminho e o jogar no ar. No exato momento em que o rolo de pergaminho saiu de suas mãos, ele se estendeu firme no ar e pairou esticado em frente aos olhos dela e era possível ver uma fraca luz azulada brilhando em volta do pedaço de papel. Arleena levantou os braços para cima e começou a recitar as palavras na língua estranha que nele estavam.
Conforme Arleena se aproximava da frente de oponentes, Mikki se preparou. Ela tomou mais um frasco do liquido azul e fez seu encantamento em voz baixa. Ao redor da feiticeira, uma espécie de escudo branco translucido envolveu todo o seu corpo. Conforme Arleena chegou na linha de inimigos, inúmeros golpes com as espadas velhas foram desferidos contra a parede de luz. A cada golpe, Mikki sentia parte de sua energia se esvair. Das mãos da feiticeira, pequenas bolas de luz vermelha e preta brilhavam e desapareciam em seguida, e conforme ela andava, mais dessas esferas apareciam ao redor dos inimigos cada vez mais longe da feiticeira.
Mikki viu Arleena tirar os dois frascos restantes de sua bolsa e engolir o conteúdo de uma só vez. Mikki fez o mesmo, e dois frascos foram esvaziados ao mesmo tempo para poder manter o feitiço por tempo suficiente. Chegou um momento em que Arleena já estava foram do campo de visão da clériga em meio ao mar de ossos que era o grupo de esqueletos. O feitiço estava cada vez mais difícil de manter, ela sentia cada golpe que era dado na membrana protetora e a parte mais difícil ainda não havia chegado.
Quando a barreira estava extrapolando os limites do poder de Mikki, ela ouviu a primeira explosão e ela se fez aguentar mais ainda o feitiço engolindo mais dois frascos da poção, mas sangue já escorria pelo seu nariz e manchava o vestido branco sujo da viagem. O chão tremeu como um pequeno terremoto o som de pedras e ossos sendo arremessados foi seguido por mais uma explosão e mais ossos e pedras voando.
As explosões se tornaram cada vez mais frequentes e ela sentiu o primeiro efeito da explosão na membrana. O primeiro golpe sugou quase toda sua energia de uma vez só. Ela se viu sem fôlego arfando fortemente caída de quatro no chão enquanto sangue escorria de seu nariz e suor brotava de cada centímetro de pele de seu corpo deixando manchas escuras na roupa branca. E o feitiço se mantinha.
Mais e mais explosões acertaram a membrana, o ar vibrava ao redor dela com o som do chão sendo demolido junto com todo ao redor. O barulho era incessante e quando ela achava que as explosões estavam prestas a terminar, mas um impacto forte atingiu a membrana e toda sua energia foi drenada e ela caiu inconsciente com o rosto na terra.

Conto #5: A leoa e o lobo

Há dias Lenina caminhava de vila em vila seguindo os passos do assassino de seu pai. A cada novo nascer do sol, ela voltava a farejar o ar a sua procura. Suas botas já haviam sido consertadas várias vezes e sua comida já chegava ao fim mais um vez.

Esses eram dias muito difíceis para a jovem guerreira. Muitos amigos e amores se foram de sua vida num piscar de olhos e ela era jogada de prisão em prisão, de estrada em estrada e a cada novo dia, mais um grande evento surgia na sua frente pronto para arrancar sua cabeça. As promessas que ela havia feito, agora pesavam sobre seus ombros, lhe custando preciosos momentos de sanidade da garota.

Enquanto caminhava, em mais uma manha clara de outono, sua mente forçava em não divagar. Ela evitava se lembrar do passado sofrido e do futuro incerto a sua frente. Assim como muitos guerreiros, instantes antes da batalha, ela não ousava fazer planos que ela poderia não ser capaz de realizar.

Ela estava novamente seguindo uma trilha escondida pela vegetação alta que crescia por entre árvores de folhas desbotadas que já começavam a cair devido a eminente vinda do inverno e da neve. A cada novo passo, mais fechada ficava a vegetação em seu caminho e mais difícil ficava a caminhada. Suas esperanças em encontrar o vilão estavam muito baixas. Não era qualquer homem que ela caçava, mas sim um dos melhores caçadores que já haviam passado por essas terras. E isso trazia novas questões a ela. Por que ele não a atacava?

Essa brincadeira de gato e rato já começava a esgotar a paciência da garota, quando ela finalmente viu o que procurava. No chão, um rastro de pegadas recentes, não mais do que quatro horas de vantagem, e parecia estar carregando algum peso, o que definitivamente diminuiria a velocidade de sua caminhada.

Com um novo impeto de esperança crescendo no peito, Lenina apertou o passo e seguiu a trilha como um cão selvagem faminto correndo atrás de uma presa fácil.

Pouco mais de uma hora se passou nesse passo acelerado e a visão foi surpreendente. A trilha terminava numa clareira. No centro da clareira havia uma cabana de caça feita em madeira e barro. Era uma construção simples, mas comum para os povos simples que margeavam as grandes florestas e não tinham mão de obra necessária para construir grandes casas resistentes de alvenaria.

Ao lado da porta aberta da cabana, havia um cotoco de árvore ainda enraizado ao solo, que o tornava um banco bem resistente. Sentado nesse tronco de árvore estava Karam. O homem que Lenina procurava à mais tempo do que ela poderia manter o controle sobre.

Karam se encontrava usando sua clássica armadura de aço polido e sua ombreiras de cabeça de lobo. Seu rosto mantinha os traços de seriedade que sempre teve, mas agora era acompanhado por um olhar triste e uma espessa barba castanha com toques de branco, indicando que sua juventude já o havia abandonado. A sua frente, fincada no chão, estava sua espada de lamina negra que é tão conhecida por onde passa. Karam analisou a figura feminina com vestes masculinas parada ofegante a sua frente. Por alguns segundos nenhum dos dois disse palavra alguma. Em seguida, Karam olhou para acima da copa das árvores e disse sem olhar para a garota.

– Você cresceu. A ultima vez que a vi, ainda era uma criança. – Lenina respondeu com um silêncio frio e um olhar que mesclava ódio e desprezo. Vendo que nenhuma resposta viria da garota, Karam continuou – Ouvi dizer que meus atos foram mal interpretados.

– Você matou meu pai. – Vociferou Lenina entre dentes. – Você matou dezenas de inocentes e incontáveis guerreiros bons e honrados. E pra quê?

– Seu pai foi um acidente, ele não deverei ter tentado me parar daquela maneira. Ele era um irmão pra mim. – Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Karam enquanto ele revivia o combate em suas lembranças.

– Isso não te impediu de abrir a garganta dele. – Lenina sacou sua espada e andou para fora da trilha estreita e parou na clareira aberta encarando Karam nos olhos e disse. – Já perdi a conta do tempo em que estou te caçando. Vamos terminar logo com isso. Karam se levantou, tirou sua espada do chão e respondeu:

– Oito anos e sete meses, eu presumo. – Vendo a expressão de confusão no rosto da garota ele explicou. – O tempo que se passou desde a morte de seu pai. Oito anos, sete meses e doze dias. Venho contando cada dia desde então. Acredito que hoje seja seu aniversário, não? Dezessete? Fiquei impressionado quando ouvi dizer que você havia fugido para me procurar. Não me leve a mal, eu sabia que você faria, só não imaginei que fosse fazer antes mesmo do funeral. Isso foi um tanto quanto frio da sua parte.

Essa ultima alfinetada foi o gatilho necessário para que ela atacasse impetuosamente seu oponente. A diferença entre suas habilidades era visível. Lenina usou um golpe alto pela direita que Karam defendeu sem demonstrar qualquer tipo de preocupação. Ao ter seu golpe aparado, Lenina retrocedeu antes que sofresse o contra-ataque, mas Karam não pareceu interessado em contra-atacar, apenas defender. Lenina, com um movimento rápido, correu em direção do inimigo com a espada pronta para o ataque, porém no ultimo segundo, ela se jogou no chão e passou por debaixo da defesa do oponente, esfolando seu joelho na terra e a ponta de sua espada subiu de encontro com a virilha de Karam. Uma lufada de vento bateu contra o rosto da garota a empurrando para trás e arremessando Karam para cima e para longe do alcance da lâmina. Ele caiu poucos metros atrás do tronco em que estava sentado e no qual Lenina havia batido o joelho no seu ultimo movimento.

Karam riu.

– Eu não espera por essa. Veja bem, eu não queria ter que lutar com você, mas eu sei que a única maneira de acabar com essa raiva sem sentido, é com mais uma casualidade da guerra. Que assim seja.

Karam sem esperar o comentário raivoso que sairia da boca de Lenina, atacou a garota. Ele golpeou rápido, mais rápido do que ela imaginava, mas o golpe aterrissou pesado contra a lâmina dela. Mal as lâminas haviam se tocado, ele recolheu seu colpe e desferiu outro golpe e sem seguida mais outro e mais outro. Todos foram parados exigindo um grande esforço por parte dela. Com um rápido movimento de Karam, sua espada fez um corte leve no antebraço esquerdo de Lenina, mas foi um corte que tirou a concentração dela e permitiu que ele abrisse dois novos cortes nela. Um no pescoço, logo abaixo do maxilar e um terceiro mais profundo que raspou o osso da clavícula. Lenina viu seu fim chegando com o quarto golpe que definitivamente partiria sua cabeça ao meio. Num movimento desesperado, ela descarregou todo o poder contido nela através da espada e uma onda fogo brotou ao redor dela empurrando Karam para trás.

Novamente separados, os dois se olharam. Karam com o olhar surpreso, mas com um sorriso no rosto enquanto checava  os fiapos chamuscados em sua roupa e Lenina apenas ofegava tentando se concentrar em aprender os movimentos do oponente.

Karam avançou mais uma vez, dessa vez com o vento girando ao seu redor e criando uma cortina de poeria para prejudicar a visão de Lenina. Lenina já imaginando esse truque por parte dele, usando sua mão esquerda, ela soltou uma forte corrente de fogo que correu rente ao chão em direção as pernas de Karam que foi obrigado a parar o ataque no meio do caminho para se defender do fogo e deu a brecha que Lenina precisava. A espada, que agora brilhava como ferro em brasa, na mão da garota passou rasgando e queimando a pele do rosto de Karam embaixo do olho esquerdo. Karam levantou sua espada cegamente para forçar o recuo de Lenina, mas ela desviou o corpo para o lado, perdendo apenas alguns fios de cabelo no processo e atacou novamente com sua lâmina em brasa que entrou com um golpe violento no braço esquerdo de Karam.

Uma forte rajada de vento separou os dois pondo distancia estre os combatentes. Karam, com um olho vermelho e lacrimejante devido a queimadura próxima a ele e um braço que, apesar do fogo na espada, sangrava penosamente, ainda aparentava estar pronto para a batalha. Lenina sem esperar para que o oponente recuperasse o folego, atacou novamente, mas dessa vez, usou as duas mãos para criar uma parede de fogo entre ela e Karam, uma parede que avançava rapidamente contra ele. Karam usou a mão livre para criar mais um fluxo de ar para afastar o fogo do caminho, mas esse movimento o deixou vulnerável ao ataque surpresa de Lenina. A garota pulou através do fogo e do vento e cravou a espada flamejante na parte interna do antebraço esquerdo de Karam. A lámina atravessou pele, carne e osso e saiu do outro lado do braço dele, perfurando a marca do dragão que ele ainda carregava marcada a brasa. Um sinal de honra e dever para com seus companheiros de armas, assim como o pai de Lenina um dia foi.

– Você não merece essa marca – rosnou a garota cara a cara com Karam e num único movimento, ela torceu a espada dentro do braço dele. A pequena explosão gerada pelo movimento fez o braço do guerreiro abrir em dois e derrubar a espada longa ainda com a mão em sua bainha enquanto o membro destruído jorrava sangue no chão e na roupa de ambos. Vendo sua espada livre da carne, Lenina girou o braço num movimento rápido e a garganta de Karam foi aberta da mesma maneira que quase nove anos antes, ele havia feito com Izziel.

O corpo dele caiu para trás com olhos esbugalhados olhando o céu claro e ensolarado enquanto ele engasgava no próprio sangue, até que ele não se moveu mais.

O rosto de Lenina que estava contorcido numa mascara de ódio e nojo se acalmou, até que sua face não demonstrava nenhuma emoção. Parada, ela olhou a cena ao redor meio desnorteada e sua expressão passou para confusão. Subitamente ela se sentiu desconfortável com o colete de couro rasgado e sujo de sangue. Ela deixou sua espada cair no chão e tirou o colete justo ficando somente com uma camisa de linho velha e encardida que um dia já havia sido branca, mas agora tinha manchas das mais diversas cores. Ela caminhou até o tronco velho e se sentou. Tirou suas botas e reparou que ambas já haviam tantos furos, que não faria diferença ela andar descalça pela mata, além do cheiro já estar horrendo.

E lá ela ficou, sentada, olhando ao redor sem saber o que fazer, pois seu ultimo objetivo tinha chegado ao fim. E para ninguém em específico, ela disse:

– E agora?

Conto #4: A dama de vermelho

Impossivel dizer o que foi que o levou até aquela igreja, mas lá estava ele. Leon andava correndo por entre as casas incendiadas da cidade, se desviando de caminhos em que ele sabia que ainda haviam soldados armados que poderiam representar alguma resitência. A cota de malha emprestada era um pouco maior do que ele estava acostumado e a espada mais leve do que a dele. Devido a isso ele estava evitando o combate direto. É impossível prever o resultado de uma espada desbalançeada e uma armadura mais desconfortavel do que de costume.

Enquanto ele corria com seu grupo de reconhecimento, um som estranho lhe chamou a atenção. Era o som de um piano. Ele parou assustado e olhou para todos os lados procurando, como se esperasse encontrar um piano sentado na praça da cidade. Obviamente não havia nada alem de homens mortos e mulheres correndo com filhos no colo para algum local seguro.

Durante a guerra, as mulheres e as crianças são os que mais sofrem. Homens são mortos aos montes, mas as mulheres são estupradas na frente de seus filhos pequenos e feitas de escravos assim como suas crianças. Muitas dessas crianças que viam suas mães serem violentadas dessa maneira cresciam amarguradas para com a vida, desejando vingar sua família ou apenas matar inescrupulosamente. Poucas passavam por isso sem maiores danos. Mas antes do fim da batalha, eram poucos os que viravam as costas para seus inimigos armados para perseguir um rabo de saia, e nesse momento era que as mulheres tantavam se esconder.

Enquanto a cidade caia, Leon seguia inspecionando os homens, tentando evitar estupros ou assassinatos desnecessários, além de roubos e destruição demasiada das casas. Afinal, seria complicado governar um local em que se é totalmente odiado.

O som da musica o deixou inquito. Quem poderia estar tocando algo no meio de um caos desse?

Leon apontou um capitão que o acompanhava para liderar a exploração e se dirigiu até as portas fechadas da igreja. No topo da escadaria, com a espada em punho, ele empurrou a porta com a mão livre e ela abriu pesada e em silencio. O interior parecia aquem do que acontecia do lado de fora. O local estava na semi-escuridão de fim de tarde. As janelas altas e pequenas não iluminavam muito durante esse horário, e a fumaça dos predios em chama filtrava mais ainda os raios de sol.

Agora, dentro da construção, a musica estava perfeitamente audível. Acompanhando o som dedilhado do piano, uma voz feminina muito bela acompanhava a canção. Mas era uma canção triste que falava de dor e sofrimento, liberdade e amor. Em um dos cantos escuros da igreja, próximo ao altar, se encontrava uma javem de cabelos escuros e vestido vermelho sentada de costas para a porta. Leon andou até ela devagar, tentando não fazer som algum e tomando cuidado para não ser pego em uma armadilha.

A melodia seguia ecoando pelas paredes de pedra quando ele finalmente parou a poucos metros de distancia da mulher que com uma nota aguda, sua voz se estendeu longos segundos acompanhando o eco do piano e o silencio reinou. Ela se virou de frente para Leon vagarosamente e revelou o rosto palido cortado pelas lagrimas que desciam de seu rosto. Ela era lnda. Tinha a pele branca com olhos escuros como seus cabelos que desciam lisos até a metade de suas costas. E ela sorria. Era um sorriso sincero, puro e foi o que mais impressionou o jovem guerreiro que ficou boqueaberto observando a moça.

– Eu sempre me emociono com essa musica – disse ela secando as lagrimas na manga do seu vestido.

– Senhorita, a cidade está caindo, precismos ir – disse Leon saindo de seu torpor. Ela se levantou, agora de frente para ele e o abraçou. A surpresa foi tanta que ele derrubou sua espada no chão. Se ela fosse uma assassina, Leon teria uma faca crava entre suas costelas nesse exato momento, mas, no entanto, ela apenas deslizou o rosto próximo ao dele e o beijou no bochecha suja de sangue e poeira. Os labios dela encostaram suavemente no rosto. Lagrimas vieram aos olhos do guerreiro imediatamente.

– Não se preocupe com a cidade – disse ela quando afastou sua boca do rosto dele – não há mais nada que você possa fazer pra salvar as pessoas daqui. Agora elas estão por conta própria.

“Como ela fez isso?” pensou Leon “Eu tenho lagrimas nos olhos e nem ao menos sei se ela é real ou uma ilusão”. Ainda abraçado a ele, a garota apoio a cabeça no peito dele e disse:

– Não tem com o que se preocupar comigo também. Eu estou segura aqui. – e nisso se seguiu um silencio profundo entre os dois. Leon ficou ali, parado, com os braços pendendo ao lado do seu corpo enquanto uma completa estranha estava com os braços ao redor de seu corpo. Anos depois desse dia, ele ainda não sabia o que realmente havia acontecido naquela igreja. Enquanto parado com o rosto dela em seu peito, o perfume dela subiu até suas narinas e ele pode sentir o cheiro de flores. Era como estar num campo com as mais belas e cheirosas flores de toda a existencia. – eu te amo – A voz dela saiu suave dos labios avermelhados dela. Neste extato momento o coração de Leon disparou. Confuso e amedrontado de estar caindo num encantamento ele a afastou geltimente e a olhou nos olhos.

Os olhares dos dois se cruzaram e ele manteve o contato. Talvez anos se passaram assim, ele não saberia dizer. O que ele sabia dizer, é que ela não era uma mulher comum. Leon estava estarrecido e ela riu do embaraçamento que o jovem demonstrava. Ela acariciou o rosto dele gentilmente e disse:

– Se você não for, sua consciência vai te matar, não é? – ela o beijou novamente na face – Vá e fique em segurança. Tive uma otima ideia para uma musica agora. – e rindo ela se virou e voltou ao piano, o qual ela estudou as telcas por um momento e o som limpo recomeçou alto ecoando nas paredes de pedra.

Agora com a boca fechada mas ainda imcapaz de produzir som algum, ele abaixou e pegou sua espada caida a seu lado e se virou pra sair. Ele caminhou lentamente até a porta da igreja e parou nela. Com uma ultima olhada para trás, ele observou o contorno avermelhado de seu vestido contra o preto do piano e fechou a porta atras de si. E estava de volta ao caos.

Conto #3: O herói que nunca voltou

A noite seguia silenciosa por entre galhos e folhas da floresta de vegetação alta. A lua, tímida, se escondia atrás das nuvens que anunciavam a chuva eminente. Conforme passava o tempo, mais escura e fria ficava e cada vez mais cuidadoso nosso herói ficava.

A capa de viagem surrada e suja batia na altura dos tornozelos protegidos por botas pesadas com grevas polidas. Debaixo da capa suja, estava uma bela armadura clara e vistosa que emoldurava o rosto duro marcado por inúmeros combates.

Havia dois que ele seguia a trilha de corpos e dos relatos de moradores das proximidades. Como um herói, ele não poderia deixar seu povo ser destroçado por uma besta voadora. Algumas pessoas descreviam a criatura como o renascimento de tudo que há de mal. Suas asas de fogo, chifres incandescentes e garras afiadas. Várias lendas enraizaram-se levadas pela descrição dessa criatura. Muitas invertas e tantas outras impressionantemente precisas. Talvez a mais precisa dizia que era apenas uma alma perdida que não tinha controle sobre seus atos. Não era completamente verdade, mas era a mais precisa.

Heilan, o jovem de armadura brilhante, seguia noite a dentro. Ele sabia o que procurava. E havia acabado de encontrar. A trilha pela qual ele seguia, passa rente a uma depressão de montanhas à esquerda e a mata densa e impenetrável a direita. Não muito a frente, ele pode ver um pequeno tremeluzir na escuridão, e soube que havia uma vela queimando nessa direção. Por precaução, a espada foi sacada devagar e com o máximo de silêncio que fosse possível, mas mesmo assim não pode evitar que o som suave da lamina raspando na bainha.

Se esgueirando por folhas e galhos, ele atingiu o ponto em que algum traço da luz fosse mais forte e se deparou com uma fenda estreita na rocha bruta. Demorando muito em cada passo, ele pisou cuidadosamente até a entrada. Ele embrulhou o peito da armadura com a capa para que não raspasse na parede e não reluzisse nenhuma luz.

Ao entrar na fenda, ele percebeu que o ambiente dentro da caverna estava quente, mas pouco iluminado. Quando ele se viu livre do caminho estreito, Heilan olhou ao redor e viu que não se tratava somente de uma caverna, e sim de uma casa. Os primeiros metros após a entrada estava completamente vazios, mas logo depois, haviam peças de mobília como uma cama, mesa, cadeiras armários e alguns baús. No centro de toda a mobília estava uma mesa com três cadeiras ao redor e algumas velas em cima. Sentado em uma das cadeiras, de frente para a entrada, se encontrava a tão procurada criatura.

A criatura tinha um corpo humano com músculos expressivos e bem definidos. Das costas cresciam um enorme par de asas de morcego, as unhas de suas mãos eram escuras como ébano e grossas e curvas como garras de águia. De sua testa subiam dois chifres muito grandes que se projetavam para a frente faziam curva acima da cabeça e terminavam apontando para cima. Toda a pele de seu corpo era de um cinza escuro e sem brilho. No entanto, o demônio alado encontrava-se distraído rabiscando em uma folha de papel algumas anotações com uma pena de aparência nova.

Heilan entrou imponente e sacou o escudo das costas que estava pendurado por debaixo da capa, que agora jazia caída a seus pés. Ele tomou posição de combate e gritou:

– Besta assassina! Conheça agora seu algoz. Sou Helian, cavaleiro da ordem do Pinheiro, enviado das Montanhas Prateadas e campeão do senhor nosso rei, Deidran, o fazedor de viúvas. Levante-se e morra pela minha espada.

Lentamente a criatura levantou a cabeça e mostrou seus olhos que eram nada mais do que um par de esferas vermelhas como sangue e seu sorriso branco como marfim. A criatura levantou da mesa ainda com o sorriso no rosto e disse:

– Em primeiro lugar garoto, meu nome é Hall. Tenha respeito com os mais velhos. – Sua voz era limpa e grossa. Quem ouvisse sua voz, imaginaria um homem forte e vigoroso e não uma criatura demoníaca e aterrorizante. – E em segundo lugar. Eu não perguntei quem você é.

Lentamente ele levantou a mão direita e trouxe o polegar para junto do dedo médio e estalou os dedos. Instantaneamente, todas as chamas do aposento se apagaram e o local se tornou um breu completo. Os olhos de Heilan que já haviam se acostumado com a claridade do local o impediram de ver qualquer movimento. O pânico chegou de surpresa e seu coração acelerou. Sua mão apertou com mais força o cabo da espada. Heilan juntou a coragem que ainda lhe restava e disse:

– Pare de brincadeiras demônio e venha me enfrentar! Eu estou aqui para derrotá-lo e não sairei daqui antes de ver seu corpo sem cabeça ensopando o chão com seu sangue pútrido!

Com um golpe rápido e forte, a espada foi arrancada da mão de Heilan que sentiu assustado a força descomunal da criatura. Em seguida o escudo foi puxado bruscamente, machucando gravemente se braço. Sentindo o sangue escorrer, ele usou a outra mão para parar o sangramento do seu ante-braço. Foi nesse exato momento que na sua frente o verdadeiro demônio apareceu. Com as asas abertas, e o sorriso sínico, Hall estava parado entre a mesa e Heilan. Cada veia em suas asas e corpo brilhava como ferro em brasa e seus chifres queimavam com um fogo baixo e amedrontador. O fogo refletia nos olhos cor de sangue e nos dentes de marfim, dando um contraste aterrorizante a silhueta musculosa.

Rápido como uma serpente, Hall surgiu logo em frente a Heilan e o segurou pelo pescoço o levantando alguns centímetros do chão. O cheiro de carne queimando subiu quase instantaneamente e lagrimas escorreram pelo rosto cansado do jovem cavaleiro.

– Você fala demais garoto. – E com um forte apertão, Helain se tornou mais um herói que nunca mais voltou.

Conto #2: Crônica do matador de dragões

Hei, hi.

Da ultima vez eu postei um pouco do que eu escrevo ultimamente. Aquele seria o começo da história e mitologia que eu desenvolvo já fazem alguns anos. Esse trecho oque vou postar agora, no entanto, é apenas uma divagação aleatória de um momento de inspiração. Não se atentem aos nomes do personagens desenvolvidos, e a descrição está fraca porque eu estava focando mais no desenrolar dos fatos e pode parecer um pouco confuso a maneira como eu os apresentei.

Sem mais delongas, here it go!

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Conto #1: Pre-review, capitulo 1

So people… I had a realy not busy week here where I work, and I deceided that I could write a little.

This history was built and rebuilt for many years. It already had many characters, many monsters and a huge race comcept and a new mythology, but for now it’s just a bunch of dudes killing each other.

It’s still really raw, I’ll work on it later.

And yes, I read Cornwell =3

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Nas terras ao sul do continente, onde o sol é sempre forte e as chuvas refrescam constantemente o ar seco. No extremo sul do continente existia um reino próspero, muito bem localizado. Tinha grandes planicies nas suas terras do norte, onde eram treinados os grandes cavalos de batalha, tanto para defesa militar quanto para a venda a outras terras. Na borda sul, onde fazia divisa com uma grande floresta que se estendia por quilometros inacabaveis até o litoral, ficava grande parte de sua zona rural, lar de grande parte dos produtos agricolas. Ambas as regiões faziam divisa com a metropole, local onde o comercio fervia todos os dias, do nascer ao por do sol.
Cruzando o reino, de lesta a oeste, passavam as ferrovias e as rotas aos portos do oeste. Essa era a terra de Ra-zura. Grande parte das rotas vinham pelo leste, junto com as ferrovias e as estradas de pedra, que foram cuidadosamente trabalhadas durante varias gerações de reinados. Porém algumas rotas vinha do norte, atraves das planícies e savanas, cruzando rios largos e estradas em pessimas condições. Mas era o caminho mais rapido. Por ser o caminho mais rapido, era no inicio dessa larga estrada de terra em que os escudos se chocaram.
Por ser uma terra tão fertil e com otima localização, Ra-zura sofria ataques frequentes de invasores por terra ou mar, com o intuito de governar essas terras e seus comandantes se tornarem homens ricos e prósperos. Por esse motivo mais de oito mil homens forçavam estrada adentro tentando furar o bloqueio do exercito.
Era um dia quente, como de costume nessa epoca do ano, mas no horizonte norte podia-se ver nuvens negras de chiva se formando. Mas ninguem estava preocupado com o tempo naquele momento. O exercito defensor, que contava com pouco mais de quatro mil homens, estava sendo empurrado pela força esmagadora e a quantidade numerica visivelmente superior de seus inimigos. No ponto de choque dos dois exercitos, brigavam homem contra homem, escudo contra escudo, espada contra escudo. Era um espaço claustrofóbico, apertado, onde mau havia espaço pra sacar sua propria arma, muito menos para se desviar do ataque do oponente que conseguiu sacar a dele. A vida dos homens da primeira linha era guardada pelos homens da segunda e terceira linha que protegiam suas cabeças com os escudos, e enfiavam as lanças por pequenas aberturas sempre que possivel.
O cheiro de sangue, fezes, suor e alcool infestava o lugar. A cada golpe bem sucedido contra seu oponente, uma pequena brecha era aberta na parede inimiga, uma brecha que seria suficiente para que um exercito ataque por dentro a outra massa de homens, transformando tudo em uma carnificina medonha.
No centro da parede, com sua armadura prateada e capa de juba de leão, se encontrava Izziel. O Rei Izziel. Ele agitava sua enorme espada bastarda acima da cabeça, gritando ordens para seus homens e insultos e provocações a seus oponentes. Ele era um homem alto, de cabelo e barba loira, olhos azuis e musculos bem definidos. Na pele nua do antebraço direito, o mesmo que segurava a espada, via-se um brasão de um dragão marcado a brasa.
Por todos os lados gritos de dor e medo ecoavam enquanto armas desviavam de escudos e encontravam a carne. No entanto, dentre tanto sangue e morte, existiam guerreiros diferentes. Guerreiros capazes de dominar elementos, capazes de segurarem laminas com suas mãos nuas. Homens que desenvolveram suas capacidades a niveis extremos e inimaginaveis. E essa história é sobre esses guerreiros e guerreiras.


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Pelo flanco oeste do exercito defensor, acima do alto descampado, entre arvores, animais e sombras, um homem corria. Mas não era uma simples corrida, o vento abria caminho para sua passagem e o impulsionava para a frente com uma velocidade impressionante. Sua armadura de aço prateada refletia nos breves momentos em que a luz do sol passava entre alguns galhos. Usava uma capa de viagem de um ton de azul bem claro, mas desbotado. As ombreiras feitas em prata pura na forma de uma cabeça de lobo, tinham um tom azulado que mesclava entre a cor da capa e a do peito metalico. Os cabelos de um castanho bem escuro balançava atras da cabeça preso por uma fita na altura da nuca. Esse era Karam, o Lobo Prateado.
O trecho de mata em que ele estava, se encontrava a mais de oito metros de altura dos exercitos combatentes. Era um local muito bem posicionado para uma orda de arqueiros atacar, mas o oponente confiando em sua superioridade numerica não enviou nenhum arqueiro para o lugar, e o ataque surpresa deixava o corpo de arqueiros defensor a 5 horas de viagem do campo de batalha escolhido. No ponto mais alto da colina, Karam parou a corrida. Ele ficou parado olhando os combatentes embaixo, com a respiração acelerada, ele esperou pouco mais de um minuto até se estabilizar novamente. Da posição onde estava, ele se encontrava a cinco metros dentro a linha inimiga. Perfeito para um ataque surpresa. Com a mão esquerda ele sacou a longa espada de lamina negra pela qual era conhecido. A Lamina Sombria. Karam pegou folego e com um forte impulso, pulou colina abaixo.