#0 – Prólogo [incompleto]

Eu fui o primeiro a ouvir o rugido. A princípio eu pensei que fosse minha imaginação, afinal, haviam décadas que nenhuma criatura invadia essa região, mas dessa vez foi diferente.

Era um fim de tarde agradável. O sol havia começado a descer para trás das montanhas, mas ainda teríamos umas duas horas de luz antes de serem acesos os lampiões e tochas pelas ruas. O urro veio do norte ecoando por entre vales e desfiladeiros, sacudindo florestas e fazendo pássaros voarem de seus galhos para o ar.

E soei o alarme.

Antes que pudesse ver os homens se aproximarem, eu o vi. A criatura vinha batendo as asas colossais em nossa direção. Eu nunca havia visto nada tão grande em toda a minha vida. Sua passagem por cima de nossas cabeças causou uma enorme onda de vento que quase me arremessou de cima da murada e ele seguiu ao sul. Quando eu revejo essa cena nos meus sonhos, eu tenho a impressão de que vi flechas voando contra a besta, e talvez tenha sido isso o que a irritou. O dragão não parecia muito interessado nas pessoas que passeavam sob seus pés.

Porém, algo é certo, algo o irritou. E ele voltou do sul com suas patas pousando em pessoas, barracas e carroças.

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