New World: Parte 1

 

A ampla planície se estendia desolada e morta por quilômetros em todas as direções. No ponto mais fundo do vale, se encontrava um pequeno templo a muito abandonado. Alguns diziam que uma maldição antiga havia afastado os monges que um dia viveram lá. Outros diziam que todo o mal do mundo surgiu em uma noite sem lua e destruiu os corpos de todos os que lá habitavam. Bom, isso não era totalmente errado.
Há aproximadamente 3 quilômetros planície acima, a paisagem mudava bruscamente para uma floresta densa e na orla dessa floresta Mikki via seu objetivo a frente. Do seu lado seguia Arleena. Entre as duas mulheres e seu objetivo, se encontrava uma horda interminável de criaturas estranhas que se arrastavam e que agora caminhavam em direção as duas. Eram milhões de esqueletos de antigos guerreiros que andavam e brandiam espadas enferrujadas e com armaduras que estavam se desfazendo e caiam podres aos seus pés de ossos e couro velho. Toda a vegetação na região havia mudado sua cor de verde, para um cinza pálido e em vários pontos, existia somente a rocha nua que ecoava alto com inúmeros ossos raspando nela.
A visão atormentou Mikki, que sentiu seu coração disparar ao ver essa quantidade enorme de demônios. Mikki era uma clériga devota a proteger o mundo de forças malignas e a própria visão a enojava. Ela usava o seu costumeiro vestido branco reforçado para as longas viagens que ela enfrentava com Arleena. Arleena era o seu motivo de estar na estrada a tanto tempo. Há alguns anos durante seus anos de vassalagem no mosteiro de Asmoddan, Arleena surgiu de uma viagem. Ela estava machucada e ensanguentada, suas roupas maltrapilhas e mal remendadas caindo aos pedaços. O clérigo Aidam, o líder de sua ordem, encontrou a jovem morrendo de seus machucados e sem comida ou água. Quando ela foi levada ao mosteiro para ser tratada, foi amor a primeira vista. Porém o amor entre mulheres era proibido por Aidam, e antes que elas fossem descobertas, Mikki fugiu com Arleena.
Agora, Mikki olhava enquanto sua amada, agachada em frente sua mochila, preparava sua perneira com uma fileira de poções. Arleena era uma feiticeira, capaz de conjurar esferas flamejantes com as próprias mãos e até mesmo congelar o ar ao seu redor. Ela usava botas de viagem de cano alto, calças marrom simples e um colete de couro preto combinando com as botas. No alto de sua coxa esquerda ela estava prendendo uma bolsa de couro com uma aba. Abaixando a aba da bolsa, podia-se ver duas fileiras de frascos de vidro com um liquido azul cintilante dentro. Ela usava vários anéis nos dedos, alguns com pedras preciosas de cores diversas e um único anel grande pesado de ouro maciço no anelar esquerdo, que fazia par com o que Mikki usava no mesmo dedo.
Mikki já não tinha o costume de se guardar sua bolsa de poções, que carregava da mesma maneira que Arleena e era acessível por uma venda no vestido que subia até próximo a cintura.
Se sentindo pronta, a feiticeira voltou até onde sua companheira estava e a beijou nos lábios.
_ Eu começo – Arleena disse virando de costas com um sorriso no rosto e alongando os músculos de seus braços enquanto seguia em direção a horda de inimigos. Mikki sempre amou a forma do rosto afinado e os longos cabelos escuros e ondulados da feiticeira, mas dessa vez ela teve um mal pressentimento quanto a suas mechas.
_ Tem certeza que não quer prender o cabelo? Eu estou sentindo algo estranho hoje. – Arleena voltou seus olhos escuros para trás e disse:
_ Você sabe que não tem com o que se preocupar – Arleena voltou para onde Mikki estava e segurou suas mãos e a olhou fundo nos olhos. A clériga era loira e tinha olhos de um azul muito claro emoldurado por um rosto redondo com a pele muito branca. O olhar intenso de sua amada a deixou vermelho e ambas riram – se você vier comigo eu não tenho com o que me preocupar, não é?
Mikki sorriu de volta e beijou os nós dos dedos de Arleena e disse:
_ Só promete que você vai tomar cuidado.
_ Sempre – Arleena sorriu e se virou para os monstros a sua frente. Arleena era cheia de energia, espontânea e estava sempre sorrindo, mesmo nos momentos mais difíceis. Mikki admirava essa força de vontade e a garra da companheira. Mas hoje, isso a preocupava.
A feiticeira andou cerca de 100 metros a frente e parou a aproximadamente 20 metros de distancia dos oponentes. Ela fechou o punho e do nó de seus dedos, pequenas chamas vermelhas surgiram. Em seguida ela deu um soco no ar, como se tentasse nocautear uma oponente invisível que estaria tentando agarra-la. De sua mão uma enorme esfera flamejante saiu voando e atingiu a linha de frente da massa de ossos que andava em sua direção. Com o impacto, a esfera explodiu em uma grande chuva de fogo, a explosão arremessou aos ares varias partes dos combatentes para todas as direções e talvez 10 esqueletos haviam parado de se mexer, mas a massa continuava vindo.
Mikki pode ver a decepção de Arleena com o resultado de seu golpe e correu a frente para ajudar. Mikki cerrou os punhos da mesma maneira que Arleena e se concentrou em uma reza baixa. Ela sentiu como se ela ficasse cada vez maior em comparação ao mundo. Ela podia sentir cada grão de areia e cada centímetro da rocha a sua frente que era pisado pelos pés esqueléticos. Ela apontou a palma de sua mão para frente e de entre seus dedos, saiu um raio de luz branca que acertou em cheio os esqueletos. Instantaneamente, eles param de se mexer e caíram inanimados em uma pilha de ossos.
E a horda continuava a vir.
Arleena continuava desferindo seus socos flamejantes contra os inimigos, e o suor já escorria de sua testa e o cansaço já cortava seu rosto. Eventualmente sua mão esquerda descia até sua perna mais frasco do liquido azul era engolido e seu recipiente vazio era devolvido para seu lugar na bolsa e Mikki seguia os mesmos passos enquanto mais raios derrubavam os oponentes e mais frascos eram esvaziados.
Algum tempo depois, ambas já estavam exaustas, existiam pilhas em mais pilhas de ossos caídos no caminho e inúmeras marcas de queimado no chão, e em um ponto ou outro havia parte da vegetação seca pegando fogo, mas que logo era apagada pelo onda de pés que pisoteava as chamas até sua extinção.
Mikki ouviu o som de vidro se quebrando viu Arleena tremula, ajoelhada e com o resto do liquido azul escorrendo pelo seu queixo e um frasco vazio caído do lado de sua mão. Ela ajoelhou junto da companheira e a puxou pela mão para mais longe do exercito interminável que vinha em sua direção.
_ Eu não acho que a gente vai conseguir passar por eles. – Disse Mikki limpando o resto de poção que manchava o rosto da amiga. Arleena estava ofegante e olhava para o vazio a sua frente sem realemnte prestar a tenção ao que a lhe era dito. Mikki sentiu um aperto forte no coração quando reparou o quanto a outra tremia. Ela sabia que ela estava entrando em overdose pela quantidade enorme de poções que ela havia tomado. Mikki checou a bolsa de Arleena e encontrou 17 frascos vazios pendurados em seus espaços acompanhados por mais dois cheios e um espaço que deveria pertencer ao vidro quebrado. – 18? Você é maluca? Você sabe o que isso pode fazer com você? – brigou Mikki. Ela rapidamente abriu uma outra bolsa que carregava do lado direito do seu cinto e de lá tirou uma pequena esfera púrpura um pouco maior do que uma ervilha e colocou na boca da amiga – aqui, mastiga isso.
Já com a primeira mordida a respiração de feiticeira começou a se estabilizar e seu olhar perdido voltou a se focar no rosto preocupado de Mikki. Arleena agora sentada no chão de pedra, apoiada em uma pedra que escondia suas mochilas. O passo das criaturas era lento, mas elas se aproximavam cada vez mais. Arleena se virou para sua mochila sem falar nada e de lá tirou um pergaminho enrolado com um selo em cera preta.
_ Nem pense nisso. – disse Mikki segurando o braço da outra – você sabe o quanto isso é perigoso. Não posso deixar você fazer isso. – Arleena olhou seria para sua amante, o sorriso tão costumeiro no seu rosto havia desaparecido e sua expressão estava seria.
_ Você sabe que eu preciso de você pra fazer isso, não me abandona agora – Mikki, com os olhos marejados, a abraçou forte e deu um beijo apaixonado na sua companheira.
_ Eu vou me arrepender disso – respondeu a clériga apoiando novamente a cabeça no ombro da companheira. Agora com as duas próximas, era possível perceber a diferença na estrutura das duas. Arleena era maior que Mikki por aproximadamente 10 centímetros, ela tinha o corpo mais magro, com o quadril largo e músculos mais trabalhados. Já Mikki tinha uma aparência mais sensível, ela tinha seios maiores do que os da amiga que acompanhava alguns quilos a mais e o temperamento mais amável.
_ Não, não vai – Arleena se soltou do abraço da companheira, deu um ultimo beijo nela e seguiu de encontro aos oponentes. Mikki viu a feiticeira quebrar o lacre do pergaminho e o jogar no ar. No exato momento em que o rolo de pergaminho saiu de suas mãos, ele se estendeu firme no ar e pairou esticado em frente aos olhos dela e era possível ver uma fraca luz azulada brilhando em volta do pedaço de papel. Arleena levantou os braços para cima e começou a recitar as palavras na língua estranha que nele estavam.
Conforme Arleena se aproximava da frente de oponentes, Mikki se preparou. Ela tomou mais um frasco do liquido azul e fez seu encantamento em voz baixa. Ao redor da feiticeira, uma espécie de escudo branco translucido envolveu todo o seu corpo. Conforme Arleena chegou na linha de inimigos, inúmeros golpes com as espadas velhas foram desferidos contra a parede de luz. A cada golpe, Mikki sentia parte de sua energia se esvair. Das mãos da feiticeira, pequenas bolas de luz vermelha e preta brilhavam e desapareciam em seguida, e conforme ela andava, mais dessas esferas apareciam ao redor dos inimigos cada vez mais longe da feiticeira.
Mikki viu Arleena tirar os dois frascos restantes de sua bolsa e engolir o conteúdo de uma só vez. Mikki fez o mesmo, e dois frascos foram esvaziados ao mesmo tempo para poder manter o feitiço por tempo suficiente. Chegou um momento em que Arleena já estava foram do campo de visão da clériga em meio ao mar de ossos que era o grupo de esqueletos. O feitiço estava cada vez mais difícil de manter, ela sentia cada golpe que era dado na membrana protetora e a parte mais difícil ainda não havia chegado.
Quando a barreira estava extrapolando os limites do poder de Mikki, ela ouviu a primeira explosão e ela se fez aguentar mais ainda o feitiço engolindo mais dois frascos da poção, mas sangue já escorria pelo seu nariz e manchava o vestido branco sujo da viagem. O chão tremeu como um pequeno terremoto o som de pedras e ossos sendo arremessados foi seguido por mais uma explosão e mais ossos e pedras voando.
As explosões se tornaram cada vez mais frequentes e ela sentiu o primeiro efeito da explosão na membrana. O primeiro golpe sugou quase toda sua energia de uma vez só. Ela se viu sem fôlego arfando fortemente caída de quatro no chão enquanto sangue escorria de seu nariz e suor brotava de cada centímetro de pele de seu corpo deixando manchas escuras na roupa branca. E o feitiço se mantinha.
Mais e mais explosões acertaram a membrana, o ar vibrava ao redor dela com o som do chão sendo demolido junto com todo ao redor. O barulho era incessante e quando ela achava que as explosões estavam prestas a terminar, mas um impacto forte atingiu a membrana e toda sua energia foi drenada e ela caiu inconsciente com o rosto na terra.

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