Conto #3: O herói que nunca voltou

A noite seguia silenciosa por entre galhos e folhas da floresta de vegetação alta. A lua, tímida, se escondia atrás das nuvens que anunciavam a chuva eminente. Conforme passava o tempo, mais escura e fria ficava e cada vez mais cuidadoso nosso herói ficava.

A capa de viagem surrada e suja batia na altura dos tornozelos protegidos por botas pesadas com grevas polidas. Debaixo da capa suja, estava uma bela armadura clara e vistosa que emoldurava o rosto duro marcado por inúmeros combates.

Havia dois que ele seguia a trilha de corpos e dos relatos de moradores das proximidades. Como um herói, ele não poderia deixar seu povo ser destroçado por uma besta voadora. Algumas pessoas descreviam a criatura como o renascimento de tudo que há de mal. Suas asas de fogo, chifres incandescentes e garras afiadas. Várias lendas enraizaram-se levadas pela descrição dessa criatura. Muitas invertas e tantas outras impressionantemente precisas. Talvez a mais precisa dizia que era apenas uma alma perdida que não tinha controle sobre seus atos. Não era completamente verdade, mas era a mais precisa.

Heilan, o jovem de armadura brilhante, seguia noite a dentro. Ele sabia o que procurava. E havia acabado de encontrar. A trilha pela qual ele seguia, passa rente a uma depressão de montanhas à esquerda e a mata densa e impenetrável a direita. Não muito a frente, ele pode ver um pequeno tremeluzir na escuridão, e soube que havia uma vela queimando nessa direção. Por precaução, a espada foi sacada devagar e com o máximo de silêncio que fosse possível, mas mesmo assim não pode evitar que o som suave da lamina raspando na bainha.

Se esgueirando por folhas e galhos, ele atingiu o ponto em que algum traço da luz fosse mais forte e se deparou com uma fenda estreita na rocha bruta. Demorando muito em cada passo, ele pisou cuidadosamente até a entrada. Ele embrulhou o peito da armadura com a capa para que não raspasse na parede e não reluzisse nenhuma luz.

Ao entrar na fenda, ele percebeu que o ambiente dentro da caverna estava quente, mas pouco iluminado. Quando ele se viu livre do caminho estreito, Heilan olhou ao redor e viu que não se tratava somente de uma caverna, e sim de uma casa. Os primeiros metros após a entrada estava completamente vazios, mas logo depois, haviam peças de mobília como uma cama, mesa, cadeiras armários e alguns baús. No centro de toda a mobília estava uma mesa com três cadeiras ao redor e algumas velas em cima. Sentado em uma das cadeiras, de frente para a entrada, se encontrava a tão procurada criatura.

A criatura tinha um corpo humano com músculos expressivos e bem definidos. Das costas cresciam um enorme par de asas de morcego, as unhas de suas mãos eram escuras como ébano e grossas e curvas como garras de águia. De sua testa subiam dois chifres muito grandes que se projetavam para a frente faziam curva acima da cabeça e terminavam apontando para cima. Toda a pele de seu corpo era de um cinza escuro e sem brilho. No entanto, o demônio alado encontrava-se distraído rabiscando em uma folha de papel algumas anotações com uma pena de aparência nova.

Heilan entrou imponente e sacou o escudo das costas que estava pendurado por debaixo da capa, que agora jazia caída a seus pés. Ele tomou posição de combate e gritou:

– Besta assassina! Conheça agora seu algoz. Sou Helian, cavaleiro da ordem do Pinheiro, enviado das Montanhas Prateadas e campeão do senhor nosso rei, Deidran, o fazedor de viúvas. Levante-se e morra pela minha espada.

Lentamente a criatura levantou a cabeça e mostrou seus olhos que eram nada mais do que um par de esferas vermelhas como sangue e seu sorriso branco como marfim. A criatura levantou da mesa ainda com o sorriso no rosto e disse:

– Em primeiro lugar garoto, meu nome é Hall. Tenha respeito com os mais velhos. – Sua voz era limpa e grossa. Quem ouvisse sua voz, imaginaria um homem forte e vigoroso e não uma criatura demoníaca e aterrorizante. – E em segundo lugar. Eu não perguntei quem você é.

Lentamente ele levantou a mão direita e trouxe o polegar para junto do dedo médio e estalou os dedos. Instantaneamente, todas as chamas do aposento se apagaram e o local se tornou um breu completo. Os olhos de Heilan que já haviam se acostumado com a claridade do local o impediram de ver qualquer movimento. O pânico chegou de surpresa e seu coração acelerou. Sua mão apertou com mais força o cabo da espada. Heilan juntou a coragem que ainda lhe restava e disse:

– Pare de brincadeiras demônio e venha me enfrentar! Eu estou aqui para derrotá-lo e não sairei daqui antes de ver seu corpo sem cabeça ensopando o chão com seu sangue pútrido!

Com um golpe rápido e forte, a espada foi arrancada da mão de Heilan que sentiu assustado a força descomunal da criatura. Em seguida o escudo foi puxado bruscamente, machucando gravemente se braço. Sentindo o sangue escorrer, ele usou a outra mão para parar o sangramento do seu ante-braço. Foi nesse exato momento que na sua frente o verdadeiro demônio apareceu. Com as asas abertas, e o sorriso sínico, Hall estava parado entre a mesa e Heilan. Cada veia em suas asas e corpo brilhava como ferro em brasa e seus chifres queimavam com um fogo baixo e amedrontador. O fogo refletia nos olhos cor de sangue e nos dentes de marfim, dando um contraste aterrorizante a silhueta musculosa.

Rápido como uma serpente, Hall surgiu logo em frente a Heilan e o segurou pelo pescoço o levantando alguns centímetros do chão. O cheiro de carne queimando subiu quase instantaneamente e lagrimas escorreram pelo rosto cansado do jovem cavaleiro.

– Você fala demais garoto. – E com um forte apertão, Helain se tornou mais um herói que nunca mais voltou.

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